Quorum

Com quatro anos de formação, o Grupo Quorum é um grupo camerístico paraense, que tem experiência na arte de lidar com o resgate histórico-musical de Belém. Aliás, o Quorum possui um bom currículo. Lançou o CD “Cânticos pela Catedral”, que faz parte do projeto grandioso de restauração da Sé. Participou do programa “Destino Brasil”, divulgando as músicas que gravaram para ajudar na restauração do templo. Participou da série para televisão “Planet Food” (Planeta Comida) a convite do Discovery Channel, dando ênfase à fabricação dos principais pratos regionais da cidade. Se apresentou no evento religioso de Encerramento do Ano Mariano, presidido pelo Papa João Paulo II, com grande sucesso de público. O trabalho do grupo paraense ultrapassou fronteiras e alcançou países como Groelândia, Rússia, Noruega e Suécia, através do Canal People + Arts, que fez o Grupo Quorum ficar conhecido no exterior.

Oo Quorum foi convidado pelo Governo Federal para se apresentar em Brasília, através do Ministério da Cultura, que classificou o grupo e o CD como um dos melhores do Brasil. Atualmente, o Quorum, durante um período de pesquisas descobriu em Belém a música “O Canto do Paris N’América Paraense”, composta no ano de 1890 pelo maestro francês André Messager, especialmente para inauguração da loja “Paris N’América”, um dos símbolos da Bellé-Époque, que até hoje embeleza o centro comercial da cidade.

O antigo proprietário da loja era o português Francisco da Silva Castro. Ele vivia constantemente em Paris e de lá trazia para Belém o que havia de mais atual em termos de moda, isto é, tecidos, chapéus e roupas brancas para seus clientes. Silva Castro, em uma dessas viagens, encomendou a valsa ao então diretor da Ópera de Paris André Messager (1853-1929), para ofertá-la às suas amáveis freguesas, impressa em panfletos. Mas, com o passar do tempo, a partitura ficou esquecida e nunca mais a cidade pôde escutar a composição.

Entretanto, o psicólogo Sergio Lobato, produtor do grupo, pesquisando em sua biblioteca particular encontrou uma reportagem de jornal do ano de 1991, onde duas universitárias paraenses desvendavam toda a arquitetura do “Paris N’América”. Na reportagem as estudantes Denise McDowell e Ruth Albim lançavam-se ao desafio de fazer todo levantamento arquitetônico do prédio para a conclusão do curso de arquitetura, e conseguiram.

Elas descobriram que o primeiro proprietário, Francisco da Silva Castro, queria construir algo colossal no comércio de Belém, que em termos de arquitetura fosse grandioso e eclético. Mandou então trazer da Europa o projeto do prédio, que é idêntico ao da Galerie Lafayette, em Paris/França, além de todo material necessário para a construção da nova loja, que levou três anos e cuja inauguração aconteceu em 1909, ao som da valsa de Messager.

Silva Castro destinou 800 contos de réis para a obra, realizando assim dois sonhos: presentear a cidade, que fez sua, com um belo ornamento, e o de trazer Paris à América, via Amazônia. Foi um sucesso!! O proprietário percebeu que o público satisfazia às suas expectativas e até passou a chamar a esquina de “O Canto do Paris N’América”, daí o título da valsa. Agora, 114 anos depois, o objetivo do grupo é mostrar ao público o quanto Francisco da Silva Castro amava o Pará e as coisas da cidade, através da arte e da música, refletida na beleza da valsa.

A partitura, composta originalmente para piano solo ganhou também uma versão para grupo camerístico. Na opinião de Serguei Firsanov professor do Conservatório Carlos Gomes e diretor musical do Quorum, fazer o arranjo de “O Canto do Paris N’América Paraense”, é de suma importância, não só pela honra de poder incrementar a música de um grande maestro francês, como foi Messager, que a compôs somente para piano; mas também pelo valor histórico e sentimental que a obra representa para a cidade de Belém e para o Estado do Pará, visto que a valsa foi feita especialmente para presentear as clientes da loja no início do século passado, pois até hoje ela representa um dos principais ícones arquitetônicos da cidade, remanescente da época áurea da borracha. Hoje, o grupo Quorum é detentor do arranjo feito para orquestra e piano.

“Temos um projeto, já registrado, de levar às pessoas o encanto da Belle-Époque através da música, em nosso novo cd, sabíamos que as famílias abastadas promoviam saraus, isto é, momentos de entretenimento musical, por isso o grupo se mobilizou em pesquisar o repertório da época, e após toda a pesquisa, eu me deparei com a partitura de ‘O Canto do Paris N’América Paraense’ em minhas mãos. Em princípio não acreditei, mas percebi que o sonho se tornara realidade. Estamos muito felizes!” – comenta Sergio Lobato.

O produtor ficou tão entusiasmado com o achado, que convidou o superintendente da Fundação Carlos Gomes, o Prof. Paulo José Campos de Melo, para executar a partitura original e realizar o primeiro registro fonográfico da obra, no novo cd do grupo, e ele gentilmente aceitou. “Paulo José tem a sensibilidade da música nas mãos” – elogia Sergio. Dentre outros convidados, o cd também tem a participação do professor Serguei Firsanov, que enriqueceu as faixas do cd, com belíssimos arranjos feitos especialmente para o grupo, que hoje é formado, em sua maioria, por seus fiéis alunos do bacharelado em violino e viola.

O novo Cd do Quorum, intitulado “Pará N’América” se configura pela produção musical local, assim como, pela formação de platéia. É um trabalho permeado de possibilidades, buscando socializar as peculiaridades regionais, através de uma sonoridade única, inédita e assimilável, possível de ser operacionalizada. O público tem no resultado do CD, a possibilidade de se reconhecer, vendo nele as tramas e os temas da cultura amazônica em constante diálogo com o que há de clássico na música, enfocando ritmos regionais, ou seja, é o feliz encontro de dois estilos: o erudito com alguns ritmos amazônicos mais conhecidos, exaltando através da música a miscigenação do povo, refletida na união dos dois estilos citados.



Baixe aqui o álbum "Cânticos pela Catedral"
http://www.badongo.com/file/3733153




Baixe aqui o álbum "Pará N'Ámerica"